Mangaratiba, Costa Verde, Rio de Janeiro
Edição documental, 2026
Arquivo de paisagem, memória e permanência
Marambaia,
território vivo.
Uma leitura da ilha por suas praias, fotografias, escolas, festas, instituições: e, sobretudo, pelas pessoas que fizeram da Marambaia casa.
ComeçarFoto: Diego Baravelli, 2017. CC BY-SA 4.0
Como ler a Marambaia
Geografia sem atalhos
Ilha, restinga e território são histórias conectadas: não sinônimos perfeitos.
A Restinga da Marambaia é o longo cordão arenoso entre a Baía de Sepetiba e o oceano. No extremo oeste fica o maciço montanhoso conhecido como Ilha ou Pontal da Marambaia, ligado à restinga pela Ponta da Pombeba. É nessa porção de Mangaratiba que se concentram muitas das localidades e memórias reunidas aqui.
Este site não apresenta a Marambaia como “paraíso vazio”. Trata-se de um território quilombola vivo, com moradia, escola, trabalho, religiosidade e cultura, que também abriga instalações da Marinha do Brasil e áreas ambientais sensíveis.
Praias e localidades
Atlas afetivo da costa
Cada enseada tem nome, vizinhança e memória.
Os nomes abaixo aparecem em fontes comunitárias, acadêmicas e no Portal de Turismo Costa Verde. As grafias variam, a costa muda e nenhum destes registros significa acesso turístico liberado.

Praia do Sino
Topônimo recorrente no setor sudoeste, presente em inventários ecológicos e roteiros de memória local.
Fonte local ↗Pescaria Velha
Localidade ligada ao trabalho pesqueiro e à moradia. Registros sobre um naufrágio próximo não equivalem a autorização de mergulho.
Portal Costa Verde ↗Caetana
Também encontrada como Kaetana ou Catana, mostra como a memória oral preserva diferentes grafias para o mesmo lugar.
Levantamento botânico ↗Praia José
Próxima à Praia Suja, aparece em proposta comunitária de pesca e culinária. Qualquer roteiro depende de autorização formal.
Conhecer a história ↗Praia da Cutuca
Também grafada Kutuca, Catuca, Butuca ou Cutuê. A localidade aparece em pesquisas sobre a fauna da restinga.
Pesquisa UFRRJ ↗Praia Grande
Localidade reconhecida por inventários ecológicos e comunitários; seu nome não deve ser confundido com praias homônimas da Costa Verde.
Coleção Costa Verde ↗Praia Suja
Localidade residencial próxima ao núcleo do CADIM e associada à sede e às atividades da ARQIMAR em registros locais.
Portal Costa Verde ↗Praia do Caju
Topônimo tradicional associado a famílias moradoras e a antigas fontes d’água nas narrativas reunidas em história oral.
Memórias da Ilha ↗João Manoel
Também João Manuel ou João Emanuel. Uma localidade de moradia, pesca e caminhos d’água na memória da comunidade.
Coleção Costa Verde ↗Praia do Sítio
Localidade comunitária historicamente associada ao endereço da ARQIMAR. Fontes recentes divergem sobre sua posição exata.
Arquivo ARQIMAR ↗Prainha
Nome registrado entre as localidades tradicionais do setor insular; sua referência cartográfica exige validação local.
Inventário acadêmico ↗Praia da Armação
Núcleo relacionado às ruínas da antiga fazenda e à ocupação oitocentista. Não é sítio de visitação livre nem lugar para retirada de vestígios.
Arquivo da Marinha ↗Nomes que pedem escuta
Praia da Cachoeira, Varinha, Restinga e Praia do CADIM aparecem em relatório etnográfico de 2002. Aqui são tratados como topônimos históricos ou comunitários a confirmar com moradores, e não como atrações turísticas autônomas.
Consultar o relatório KOINONIA ↗Fotografias históricas
O que a câmera enquadrou
Um arquivo entre a propaganda de época e a leitura crítica do presente.
As imagens da escola foram produzidas, em grande parte, por órgãos de imprensa do Estado Novo. Elas documentam edifícios, alunos e cerimônias: mas também exigem perguntas sobre quem fotografou, com qual intenção e quais vidas ficaram fora do quadro.

23, JUN, 1940
Agência Nacional
A chegada de Getúlio Vargas
Uma fotografia registra a comitiva presidencial chegando em um pequeno bonde puxado por alunos. O documento integra o acervo do Arquivo Nacional sob o código BR RJANRIO EH.0.FOT, PRP.1425.
02, JAN, 1944
Agência Nacional
A igreja, o capelão e os alunos
Outra série mostra a fachada da igreja da escola com alunos e capelão. A reportagem está identificada como BR RJANRIO EH.0.FOT, EVE.8249.

Nota de direitos. Para reutilizar matrizes históricas em alta resolução, consulte o Arquivo Nacional e os termos de reprodução. Fotografias de moradores exigem também consentimento das pessoas retratadas; por isso, nenhuma imagem comunitária de licença incerta foi copiada para este site.
Serviço do Arquivo Nacional ↗Depoimentos de moradores
Biografias que sustentam o território
A ilha também se lê por quem pesca, ensina, cuida e lembra.
Os perfis abaixo são sínteses: não citações literais: das entrevistas realizadas entre 2013 e 2014 para o livro Memórias da Ilha da Marambaia. O volume preserva a voz completa de cada participante.
Ler o livro de história oral ↗Ademir Barcelos
Pescador, cuidado de trilhas, antiga vice-presidência da ARQIMAR
Sua trajetória aproxima pesca artesanal, circulação pelos caminhos da ilha e organização coletiva.
Adriana Barcellos de Carvalho
Professora da Escola Municipal Levy Miranda
A experiência de educar na ilha liga infância, pertencimento e o desafio cotidiano de manter uma escola em território insular.
Alfredo de Lima
Memória familiar da antiga escola
Filho de Joel Rosa de Lima, ex-aluno da Darcy Vargas, faz a história escolar atravessar gerações da mesma família.
Dionato de Lima Eugênio
Ex-aluno da escola de pesca, primeiro presidente da ARQIMAR
Em sua biografia, memória escolar e luta associativa se encontram: aprender um ofício e defender o direito de permanecer.
Angélica de Lima Marçau Estanislau
Maricultura, igreja católica, ARQIMAR
Seu percurso reúne trabalho no mar, prática religiosa e participação na vida comunitária organizada.
Dulce de Lima Estanislau
Fundação da ARQIMAR, vida religiosa
As lembranças conectam parentesco, fé e a construção coletiva de uma associação para representar a comunidade.
Élcio Santana
Pescador, pastor batista
Uma vida em que trabalho, espiritualidade e conhecimento das águas convivem no mesmo território.
Elói Juvenal Machado
Estudante, pesquisa, pesca
Seu perfil mostra uma geração jovem que articula educação, investigação e continuidade dos saberes locais.
Quilombo e cultura
Permanência, festa e direito
Celebrar também é afirmar que a comunidade está aqui.
Jongo, capoeira, poesia, música, feijoada, ladainhas e festas religiosas aparecem nas memórias e nos encontros públicos. Essas práticas não são espetáculo deslocado do território: fazem parte da organização comunitária, da fé e da transmissão entre gerações.
22ª
20 de novembro de 2025
Festa da Consciência Negra do Quilombo da Marambaia
A edição reuniu poesia, música, dança, jongo, capoeira e feijoada. A Honraria Velha Camila foi entregue ao quilombo, a Dona Almerinda e a Seu Naná: reconhecimento de uma memória feita por pessoas.
Ler o registro da Prefeitura ↗Jongo em movimento
Moradores lembram formas antigas dançadas depois de ladainhas, com caixas, latas e tambores. A prática atual é uma retomada viva: não uma peça congelada no tempo.
Exposição no MPF
Do “ficar bom” ao “ficar bem” recebeu mais de 500 visitantes entre 2024 e 2025 e encerrou com moradores, griôs e roda de jongo.
Ver a exposição ↗Evento não é acesso permanente
Festas podem ter autorização e lista nominal específicas. Antes de divulgar ou comparecer, confirme a edição atual com a organização, a ARQIMAR e o CADIM.
Do processo ao título
Uma cronologia do reconhecimento
Datas diferentes contam etapas diferentes. Certificação, decisão judicial, acordo e titulação não são a mesma coisa.
Abertura do processo na Fundação Cultural Palmares.
O Ministério Público Federal ajuíza ação civil pública pela permanência e regularização.
Organização da ARQIMAR, associação da comunidade remanescente de quilombo.
Certificação pela Fundação Cultural Palmares, Portaria nº 23/2005.
O STJ reconhece a proteção possessória e o enquadramento no art. 68 do ADCT.
Termo de Ajustamento de Conduta define regras de coexistência e a área a titular.
Título coletivo emitido pelo Incra: 52,9939 hectares em seis glebas.
O Censo conta 254 residentes no território delimitado, 250 deles quilombolas.
Educação e pesca
Uma correção que importa
A escola de pesca era Darcy Vargas. Levy Miranda foi seu idealizador e diretor.
A expressão “Escola de Pesca Levy Miranda” mistura duas histórias ligadas, mas distintas. A instituição histórica mudou de nome ao longo de três fases; a atual Escola Municipal Levy Miranda homenageia Raphael Levy Miranda e não deve ser apresentada, sem documentação adicional, como continuidade jurídica da antiga escola técnica.
Raphael Levy Miranda
Um projeto educacional à beira-mar
Dirigente do Abrigo do Cristo Redentor, Levy Miranda foi o articulador central do projeto e dirigiu a escola entre 1939 e 1962. O complexo combinava internato, ensino geral, indústria da pesca, navegação, reparo e construção de embarcações.
Pesquisa PUC-Rio ↗Escola de Pesca Darcy Vargas
Primeira fase, organizada pelo Abrigo do Cristo Redentor para formar filhos de pescadores locais e jovens de várias regiões do país.
Escola Técnica Darcy Vargas
O Decreto-Lei nº 4.802/1942 conferiu caráter federal e definiu o ensino da indústria da pesca e da construção naval.
Colégio Técnico Darcy Vargas
Última fase da instituição histórica, encerrada em 1970.
Bens retornam à União
O Decreto nº 68.224 autorizou a reincorporação do patrimônio e sua entrega à administração da Marinha.
Escola Municipal Levy Miranda
Instituição municipal em funcionamento na ilha. Em agosto de 2026, recebeu a primeira turma da Educação de Jovens, Adultos e Idosos.
Para ver, ouvir e continuar
A Marambaia em outros arquivos.
Marambaia: do quilombo à justiça
Uma síntese audiovisual do processo aberto em 2002 e do acordo de 2014.
Assistir ↗ Filme, INCE, 1945Marambaia, de Humberto Mauro
Registro histórico das atividades e instalações da escola de pesca.
Ver ficha ↗ Livro, história oral, 2015Memórias da Ilha da Marambaia
Entrevistas sobre pesca, escola, parentesco, religiosidade e vida cotidiana.
Ler PDF ↗ Arquivo comunitárioBlog do Quilombo da Marambaia
Registros de festas, mobilização e notícias reunidos pela comunidade.
Visitar ↗Se houver autorização
Visitar sem apagar quem vive aqui.
- 01
Confirme por escrito a autorização e o itinerário com as instituições responsáveis.
- 02
Peça consentimento antes de fotografar pessoas, casas, rituais ou instalações militares.
- 03
Priorize condução, alimentação e produtos fornecidos pela comunidade, com remuneração transparente.
- 04
Não colete conchas, plantas, artefatos ou fragmentos de ruínas; leve todo o lixo de volta.
- 05
Não use drone, não acampe, não fundeie e não entre em trilhas fora do que foi autorizado.
- 06
Evite som alto e pisoteio da restinga. A paisagem é habitat, não cenário descartável.

O mar muda de cor.
A memória permanece em movimento.
Foto: Luizf.andrade, 2013. CC BY-SA 3.0
Transparência editorial
Fontes, critérios e limites.
Pesquisa consolidada em setembro de 2026 com documentos oficiais, trabalhos acadêmicos, registros comunitários e acervos de imagem. Divergências foram mantidas visíveis; datas e nomes não confirmados foram evitados.
Território quilombola e direitos 06 fontes
História, escola e Marinha 08 fontes
Memória, cultura e eventos 05 fontes
Praias, geografia e ambiente 07 fontes
Critério editorial: depoimentos foram resumidos sem criar falas; páginas de turismo foram usadas para nomenclatura e memória local, não como autorização de acesso; datas jurídicas foram conferidas em fontes oficiais.
Este é um projeto editorial independente. Não representa a ARQIMAR, a Marinha do Brasil, o Município de Mangaratiba ou qualquer órgão público.
